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domingo, 18 de março de 2012

SUPER PESQUISA: do Site Desenvolvimento em Questão - Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777 – 1808).


Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808) – Fernando Novais

Novais é declarado discípulo de Caio Prado Júnior, e como este, segue o modelo de historiografia marxista. Em sua pesquisa de doutorado, considera que o que justifica o nascimento e o funcionamento do sistema colonial é o acumulo primitivo de capital através do comércio dos produtos agrícolas coloniais e da venda para as Colônias dos produtos manufaturados da Metrópole, sendo que este sistema entre em crise com o surgimento de novas tecnologias da Revolução Industrial, passando do que Marx chama de Capitalismo Comercial para o Capitalismo Industrial. Para entender essa mudança de sistema econômico, Novais propõe distinguir os mecanismos de funcionamento do sistema colonial para entender suas contradições que lhe eram naturais e o conseqüente desague na crise, ou seja, ele propõe a visão marxista de que todo sistema econômico traz em si as contradições que irão destrui-lo através da luta de classes. O que ele chama de Antigo Sistema Colonial é o conjunto de relações da Metrópole com a Colônia, onde a política implantada é proveniente de um estado absolutista defensor das práticas de protecionismo do mercantilismo. Essas relações podem ser observadas em dois níveis, pela extensa legislação ultramarina das grandes potências européias (Portugal, Espanha, Holanda, França, Inglaterra); e pelo comércio que faziam entre si e nas políticas-administrativas que isto envolvia. O que possibilita que tal sistema funcione é a estrutura sócio-economica que se organiza nas colônias, a produção escravista e a decorrente concentração da renda nas camadas dominantes. A Colônia tinha por objetivo fornecer artigos que a metrópole necessitava e oferecer mercado para os manufaturados da metrópole. Esse comércio deveria ser o que Novais chama de exclusivo metropolitano, por exemplo, o Brasil deveria fornecer a cana-de-açúcar apenas para Portugal, e comprar manufaturados apenas do mesmo, o que é mais uma forma de garantir a alta lucratividade, já que tendo o monopólio do produto poderia-se controlar o preço deste. Mas essa prática não funciona perfeitamente, Portugal, por exemplo, vai depender muitas vezes do capital estrangeiro, principalmente o flamenco, para a produção do açúcar, vai depender das praças de Antuérpia para escoar sua produção e para agravar ainda mais a Coroa não necessariamente reinvestia na empresa do Oriente.


Fernando Antônio Novais (Guararema, 1933) é historiador brasileiro. Graduou-se em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde lecionou de 1961 a 1985. Sua tese de doutorado, Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808), apresentada em 1973, por seu caráter inovador na análise do comércio e da administração coloniais em seus aspectos mais intrincados, lançou as bases para uma nova compreensão das relações entre Metrópole e Colônia. Em 1986, transferiu-se para o Instituto de Economia da Unicamp. Em 1996 publicou, em colaboração de Carlos Guilherme Mota, A independência política do Brasil. Foi o organizador geral da coleção História da vida privada no Brasil, de 1997, que reuniu trabalhos de renomados historiadores contemporâneos do brasileiros. Lecionou na Universidade do Texas por duas vezes e participou de diversos debates e seminários em outras universidades americanas, como a de Columbia e a da Universidade da Califórnia | Califórnia. Na França, deu cursos no Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine, ligado à Universidade de Paris III (Sorbonne Nouvelle); na Bélgica, na Universidade de Louvain; e, em Portugal, nas universidades de Coimbra e de Lisboa, onde residiu um ano quando realizava pesquisas para sua tese de doutorado. Fontes: Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre e Site Desenvolvimento em Questão

terça-feira, 13 de março de 2012



Professor Doutor Otávio Canavarros
História Moderna I e II da UFMT
Possui graduação em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1968), mestrado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (1972) e doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (1998). Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Mato Grosso. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Regional do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: cuiabá, leitura, mato grosso e fronteira.
(Texto informado pelo autor)

terça-feira, 6 de março de 2012

SUPER AUTORES: Quem é Aílton Krenak - História do Brasil I


Quem é Ailton Krenak

Ailton Krenak nasceu no Vale do rio Doce, Minas Gerais, em 1954. Os Krenak registravam uma população de cinco mil pessoas no início do século XX, número que se reduziu a 600 na década de 1920 e a 130 indivíduos em 1989. Na época, Ailton pressagiou: "se continuar nesse passo, nós vamos entrar no ano 2000 com umas três pessoas". Felizmente isso não aconteceu. Contando com esforços também do próprio Ailton, os Krenak fecharam o século com 150 pessoas. Com 17 anos Ailton migrou com seus parentes para o estado do Paraná. Alfabetizou-se aos 18 anos, tornando-se a seguir produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980 passou a se dedicar exclusivamente à articulação do movimento indígena. Em 1987, no contexto das discussões da Assembléia Constituinte, Ailton Krenak foi autor de um gesto marcante, logo captado pela imprensa e que comoveu a opinião pública: pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos indígenas. Em 1988 participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI), fórum intertribal interessado em estabelecer uma representação do movimento indígena em nível nacional, participando em 1989 do movimento Aliança dos Povos da Floresta, que reunia povos indígenas e seringueiros em torno da proposta da criação das reservas extrativistas, visando à proteção da floresta e da população nativa que nela vive. Nos últimos anos, Ailton se recolheu de volta às Minas Gerais e mais perto do seu povo. Atualmente, está no Núcleo de Cultura Indígena, ONG que realiza desde 1998 o Festival de Dança e Cultura Indígena, idealizado e mantido por Ailton Krenak, na Serra do Cipó (MG), evento que visa promover o intercâmbio entre as diferentes etnias indígenas e delas com os não-índios.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A SAGA DE DAVI KOPENAWA YANOMAMI, POR BRUCE ALBERT


Davi Kopenawa, nascido em 1956, vive na aldeia yanomami de Watoriki, situada ao pé da serra do Demini ("serra do Vento"), no estado do Amazonas. Seu grupo de origem foi quase inteiramente aniquilado no alto rio Toototobi (perto da fronteira venezuelana) por duas epidemias sucessivas após contatos estabelecidos com o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e com a missão evangélica Novas Tribos do Brasil (NTB) (1959-60, gripe [?]; 1967; sarampo) Criança, Davi Kopenawa perdeu, assim, a maior parte dos membros de sua família.
Davi Kopenawa Yanomami
Xamã e líder dos índios na Floresta Amazônica

Em seguida sofreu, e depois rejeitou, o proselitismo dos missionários da NTB, abandonando na adolescência sua região natal para trabalhar na Fundação Nacional do Índio (Funai) como intérprete. No começo dos anos 80, fixou-se em Watoriki, ali se casando com a filha do líder da comunidade, xamã renomado que o iniciou e, tradicionalista convicto, permanece seu mentor.

Ele é hoje a um só tempo chefe do posto indígena Demini e um dos mais influentes xamãs de Watoriki. A invasão de suas terras por cerca de 30 a 40 mil garimpeiros custou a vida, entre 1987 e 1990, de mais de mil Yanomami no Brasil. Chocado com essa tragédia que reavivou nele a lembrança das que dizimaram sua família nos anos 60, Davi Kopenawa engajou-se em uma luta incansável contra a destruição de seu povo e da floresta de sua terra. Graças a sua experiência com os brancos e à firmeza intelectual que lhe confere o saber xamanístico, tornou-se rapidamente o principal porta-voz da causa yanomami, no Brasil e no mundo. Visitou, ao longo dos anos 80 e 90, vários países da Europa e os Estados Unidos. Recebeu, depois de Chico Mendes, o prêmio Global 500 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e, recentemente, a Ordem de Rio Branco ao grau de cavaleiro.

domingo, 11 de setembro de 2011

Autores Citados em aula - Prof. MSc. Claudia Bovo - Aron Gurevich Yakovlevich


Aron Gurevich Yakovlevich (também escrito Aaron Gurevich, russo: Арон Яковлевич Гуревич, 12 de maio de 1924, Moscou - 05 de agosto de 2006, Moscou) foi um russo medievalista historiador, trabalhando na cultura européia da Idade Média. Em 1946 ele se formou na Universidade Estatal de Moscovo. Em 1950, depois de defender sua dissertação Campesinato do Sudeste da Inglaterra durante o período pré-Norman ele se tornou um candidato de Ciências e um professor de Kalinin Estado Instituto Pedagógico (agora Tver State University). Em 1962 recebeu uma Gurevich Doktor Nauk grau em Universidade de Leningrado. Sua tese de doutorado foi Resumo da história social da Noruega na IX-XII séculos. Foi a primeira tese de doutorado na União Soviética completamente dedicado a Viking história. Trabalho Gurevich foi informado por Jacques Le Goff e Georges Duby, e ele se considerava um membro da sua Escola dos Annales. Ele também foi influenciado pelas idéias de Mikhail Bakhtin, desafiando alguns deles, ao mesmo tempo. Gurevich trabalho foi considerado anti e se reuniu com hostilidade na União Soviética, mas contou com o apoio no exterior, entre a Escola dos Annales, embora ele não foi autorizado a viajar para o exterior, antes da Perestroika .
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Autores Citados em Sala de Aula: Antônio Joaquim Severino



Professor titular, aposentado, de Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da USP, ora atuando como docente colaborador. Licenciou-se em Filosofia na Universidade Católica de Louvain, Bélgica, em 1964. Na PUCSP, apresentou seu doutorado, defendendo tese sobre o personalismo de Emmamuel Mounier, em 1972. Prestou concurso de Livre Docência em Filosofia da Educação, na Universidade de São Paulo, em 2000. Em 2003, prestou concurso de titularidade. Atualmente integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uninove, Universidade Nove de Julho, de São Paulo. Dentre suas publicações, destacam-se Metodologia do trabalho científico (Cortez, 1975; 21. ed. 2000); Educação, ideologia e contra-ideologia. (EPU, 1986); Métodos de estudo para o 2o. Grau (Cortez, 1987; 5. ed. 1996); A filosofia no Brasil (ANPOF, 1990); Filosofia (Cortez, 1992; 5. ed. 1999); Filosofia da Educação (FTD, 1995; 2. ed. 1998); A filosofia contemporânea no Brasil: conhecimento, política e educação (Vozes, 1999), Educação, sujeito e história (Olho d´Água, 2002) e vários artigos sobre temas de filosofia da educação. Seus estudos e pesquisas atuais situam-se no âmbito da filosofia e da filosofia da educação, com destaque para as questões relacionadas com a epistemologia da educação e para as temáticas concernentes à educação brasileira e ao pensamento filosófico e sua expressão na cultura brasileira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Autores Citados em Sala de Aula - Hannah Arendt - Prof.º Dr. Flávio Paes





Hannah Arendt nasceu em 1906, em Hannover, na Alemanha, de uma família judia. Cedo ela direcionou seus estudos para a filosofia, passando a se dedicar à ciência política. Na Universidade de Marburg, foi aluna do filósofo Martin Heidegger (1889-1976), com quem manteve uma ligação amorosa que se estendeu por 50 anos – período durante o qual ela foi casada duas vezes e ele uma. O nazismo levou Arendt a emigrar, em 1933, para Paris, de onde teve novamente de fugir em 1940, indo para Nova York. Naturalizou-se norte-americana em 1951, ano em que publicou seu primeiro livro, As Origens do Totalitarismo. Ao adotar uma perspectiva liberal, que não se alinhava com os extremos ideológicos, Arendt construiu um pensamento independente e crítico, até mesmo, às vezes, em relação a grupos com os quais compartilhava idéias, como os sionistas e a esquerda não marxista. Morreu em 1975 em Nova York, onde era professora universitária.
Ela foi uma das principais pensadoras da política no século 20, mas sua obra inspira estudos em outras áreas, entre elas a educação. Poucos intelectuais atuaram tão diretamente em seu tempo como Arendt, que foi vítima, ainda jovem, da perseguição nazista em sua Alemanha natal.

Fonte: Educar para Crescer. AC

Autores Citados em Sala de Aula - Ken Follet - Profº Dr. Flavio Paes


Ken Follett  (nascido em 05 de junho de 1949) é um Galês autor de thrillers e romances históricos. Ele já vendeu mais de 100 milhões de cópias de seus trabalhos. Quatro de seus livros já atingiu o número 1 do ranking no New York Times lista de best-seller : A Chave para Rebecca , deitar-se com Lions , Triplo , e World Without End.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre - RL

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Autores Citados em aula - Prof. Dr. Pablo Diener - Norbert ELIAS

click no Link acima e baixe o Livro Sobre o tempo, de Norbert ELIAS
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Norbert Elia
(Breslau, 22 de junho de 1897; Amsterdã, 1 de agosto de 1990) foi um sociólogo alemão. De família judaica, teve de fugir da Alemanha nazista exilando-se em 1933 na França antes de se estabelecer na Inglaterra onde passará grande parte de sua carreira. Todavia, seus trabalhos em alemão tardaram a ser reconhecidos e ele viveu de forma precária em Londres antes de obter em 1954 um posto de professor na Universidade de Leicester. Suas obras focaram a relação entre poder, comportamento, emoção e conhecimento na História. Devido a circunstâncias históricas, Elias permaneceu durante um longo período como um autor marginal, tendo sido redescoberto por uma nova geração de teóricos nos anos setenta, quando se tornou um dos mais influentes sociólogos de todos os tempos. Sua tardia popularidade pode ser atribuída à sua concepção de grandes redes sociais, que encontrou aplicação nas sociedades ocidentais pós-modernas, onde a presença da ação individual não pode ser negligenciada. De fato, a demasiada ênfase na estrutura sobre o indivíduo em vigor até então começava a ser duramente criticada.
Postagem RL

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Autores Citados em aula - Prof. MSc. CLAUDYANNE RODRIGUES DE ALMEIDA

Oracy Nogueira
Oracy Nogueira (1917-1996) nasceu em Cunha, São Paulo, filho de professores normalistas, brancos e católicos. A família mudou-se para Catanduva em 1928 e, poucos anos depois para Botucatu, onde Oracy completou o ginásio e trabalhou como repórter e redator do jornal local, o Correio de Botucatu. Nessa época, Oracy aderiu ao Partido Comunista, ao qual estaria filiado até os anos 1960. Com 19 anos, isolou-se para tratamento de tuberculose em São José dos Campos, fato que logo se tornaria significativo na definição de seus interesses intelectuais. Nesse ínterim, sua família mudou-se para São Paulo, onde Oracy, já refeito, formou-se professor primário. Em 1940, com 23 anos, inscreveu-se no bacharelado em ciências políticas e sociais na Escola Livre de Sociologia e Política. Essa Escola era então uma instituição pioneira e nela Nogueira estudou com diversos professores estrangeiros (Donald Pierson, Emílio Willems, Radcliffe- Brown) que estavam contribuindo com o conhecimento que tinham sobre pesquisa, sociologia e antropologia para a constituição das ciências sociais no Brasil e com professores brasileiros como Sérgio Milliet e Mário Wagner Vieira da Cunha que foram também pioneiros nesse ensino.

Em 1942, Oracy concluiu o bacharelado. Em 1945, o mestrado, na primeira turma formada por instituições brasileiras. Seguiu, então, para o doutoramento na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, sob orientação de Everett Hughes. Lá fez cursos com W. L. Warner, Robert Redfield, Louis Wirth, entre outros nos Departamentos de Sociologia e de Antropologia. Realizou também intensa pesquisa de campo sobre as relações raciais norte-americanas. Retornou em 1947, como pesquisador e docente da ELSP, onde dirigiu, primeiro com Donald Pierson, e depois com Emílio Willems, a Revista de Sociologia.

Nogueira saiu da Escola em 1957, cinco anos depois de Pierson. Entre 1952 e 1957, foi chefe do setor de pesquisas do Instituto de Administração da USP, então dirigido por Mário Wagner Vieira da Cunha; entre 1957 e 1961, convidado por Darcy Ribeiro, trabalhou no Centro Brasileiro de Estudos Educacionais no Rio de Janeiro; entre 1962 e 1968, lecionou em diversas Faculdades do interior paulista. Finalmente, em 1968, integrou-se à USP onde se aposentou, em 1983, como professor titular da Faculdade de Economia e Administração. Oracy Nogueira faleceu em Cunha, em fevereiro de 1996. Em 2007, seus arquivos constituíram o Fundo Oracy Nogueira, abrigado pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Nogueira realizou diversas pesquisas marcantes. A primeira é a dissertação de mestrado, defendida em 1945 na Escola Livre de Sociologia e Política, que resultou no livro Vozes de Campos de Jordão (Nogueira, 2009), onde se aborda a tuberculose pulmonar como uma experiência social, A segunda pesquisa, realizada entre 1942 e 1955, investigou o preconceito racial no Brasil e nos Estados Unidos e forjou os conceitos de Preconceito de marca e Preconceito de origem que apreendem a singularidade da ideologia e do funcionamento do racismo em cada um desses países. É sobre essa segunda pesquisa que falaremos aqui.

Fonte: Preconceito de marca e preconceito de origem: o racismo no Brasil e nos Estados Unidos – Enviado pela Aluna de História Evanilda Maria dos Santos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Autores Citados em aula - Prof. MSc. CLAUDYANNE RODRIGUES DE ALMEIDA


Franz Boas (Minden, 9 de julho de 1858 — Nova Iorque, 21 de dezembro de 1942) foi um antropólogo teuto-americano.Nascido numa família judaica liberal, seu pai, Meier Boas, era um comerciante de sucesso e sua mãe, professora de jardim da infância. Ambos os pais de Boas eram influenciados pelo "espírito" da Revolução de 1848 mesmo anos após o seu término. A influência dos princípios políticos de seus pais durante sua infância e adolescência teria reflexos na formação de suas idéias pioneiras sobre raça e etnicidade. Sua primeira inserção no campo científico não se deu a partir da Antropologia, mas sim da Física, curso no qual Boas se qualificou como doutor pela a Universidade de Kiel em 1881. Através de sua dissertação de doutorado "Contribuições para o Entendimento da Cor da Água" Boas buscou demostrar como os domínios da experiência humana "através dos conceitos de quantidade… não eram aplicáveis". Foi em uma viagem para Baffinland com a intenção de escrever um livro sobre psicofísica, enquanto trabalhava com um grupo de esquimós (inuit) que Boas vivenciou a sua primeira experiência de campo. Tal experiência foi determinante para sua mudança disciplinar e o início de suas reflexões antropológicas. Em 1887 Boas emigrou para os Estados Unidos, mas somente depois de sua primeira publicação que se tornou referência enquanto antropólogo. Diferente dos evolucionistas que dominavam a Antropologia em seu princípio, Boas argumentava que em contraste com o senso comum, raças distintas da caucasiana, "raças como os índios do Peru e da América Central haviam desenvolvido civilizações similares àquelas nas quais as civilizações européias tinham sua origem". Embora seus escritos ainda reflitam certo racismo inerente ao seu tempo, Boas foi pioneiro nas idéias de igualdade racial que resultaram nos estudos de Antropologia Cultural da atualidade. Como orientador de antropólogos notáveis como Margaret Mead, Melville Herkovits, Ruth Benedict e do brasileiro Gilberto Freyre, Boas ficou conhecido posteriormente como pai da Antropologia contemporânea. De todas as suas idéias, a formulação do conceito de etnocentrismo e a necessidade de estudar cada cultura singularmente por seus próprios termos exercem, ainda nos dias de hoje, uma enorme influência nos estudos antropológicos. Em sua obra, Boas se contrapôs aos evolucionistas, que compreendiam as culturas das sociedades não-caucasianas como inferiores. É através de seus estudos que a idéia de uma escala evolutiva das sociedades partindo de agrupamento de homens "selvagens" ou "naturais" e chegando as "sociedades civilizadas" européias vai sendo gradualmente abandonada pelos estudos antropológicos… Dois índios particularmente responsáveis foram enviados pelo conselho dos anciões a visitar um grupo que quase uma geração antes havia se separado para caçar em uma região pouco conhecida e mantivera só contato esporádico com a tribo. À volta, relataram sobre seu encontro com os representantes do grupo: tinha constituído uma espécie de novo conselho dos anciões e deram as informações desejadas sobre a região. Os dois emissários expuseram "verbatim" (literalmente), o conteúdo das conversas imitou as expressões dos rostos dos interlocutores, que para nós europeus parecem sempre impassíveis, mas das quais os índios detectam as mínimas nuances, salientaram uma sombra de reticência, num determinado momento e contribuíram na análise dos resultados da empresa, realizada pelo conselho: lá devia haver mais facilidade de caça do que os membros do grupo queriam admitir. (FRANZ BOAS, 1890, de uma carta a um amigo na Alemanha, na qual comunicava que decidira dedicar-se exclusivamente à antropologia.) Franz Boas criticou com veemência os determinismos biológicos e geográficos, além da crença no evolucionismo cultural. Boas apontava que cada cultura é uma unidade integrada, fruto de um desenvolvimento histórico peculiar. Enfatizou a independência dos fenômenos culturais com relação às condições geográficas e aos determinantes biológicos, afirmando que a dinâmica da cultura está na interação entre os indivíduos e sociedade. Dentre suas obras principais, destacam-se: "The Mind of Primitive Man", de 1911 (A Mente do Homem Primitivo), "Primitive Art", de 1927 (Arte Primitiva), e "Race, Language and Culture", 1940 (Raça, Linguagem e Cultura). Além das severas críticas que fez ao método evolucionista, Boas também criticou o hiper-difusionismo e o funcionalismo, ambos em evidência na época. O evolucionismo buscava leis gerais que regessem toda a humanidade, concebendo uma evolução igual para todas as sociedades. Os fenômenos semelhantes que ocorrem em épocas e lugares diferentes, provariam a existência de uma origem comum da humanidade. Boas, pelo contrário, afirmava que esses fenômenos similares poderiam ter se originado por caminhos diversos, e que o mesmo fenômeno tem sentidos variados em cada cultura. Antes de se fazerem suposições, devia-se investigar a fundo as causas dos fenômenos, utilizando-se da investigação histórica, tão defendida por ele. O segundo método, o hiper-difusionismo atribuia a criatividade a alguns poucos grupos - como egipcios e gregos - que passariam o seu legado para outras culturas. Boas critica ainda o funcionalismo que vê as culturas apenas enquanto adaptações do Homem às suas necessidades, naquilo de C. Geertz chamaria de "visão estratigráfica". Isto é, enquanto os funcionalistas vêem a cultura como algo limitado pelo biológico, Boas reconhece esta limitação mas sugere que a cultura pode, por vezes, ultrapassar tais limitações. Além disso, Boas inaugura o conceito de culturas, no plural, através do particularismo histórico - onde cada cultura tem sua própria história. Segundo Boas, todas as culturas são dinâmicas, sofrem mudanças ao longo do tempo. E o objetivo da pesquisa antropológica, para Boas, está em compreender os fenômenos dessas culturas particulares, e qual sentido os membros de uma cultura atribuem às suas práticas; ao invés de estabelecer leis gerais, como pensavam os evolucionistas. É importante ressaltar que,os evolucionistas não eram necessariamente racistas, mas etnocentricos, visto que admitiam o "selvagem" como uma etapa de sua própria linha evolutiva"

Autores Citados em aula - Prof. MSc. CLAUDYANNE RODRIGUES DE ALMEIDA



Clifford James Geertz: (São Francisco, 23 de agosto de 1926 — Filadélfia, 30 de outubro de 2006) foi um antropólogo estadunidense, professor da Universidade de Princeton em Nova Jérsei. Com cerca de vinte livros publicados, Clifford Geertz foi um dos principais antropólogos do século XX, importante, assim como Claude Lévi-Strauss, não apenas para a própria teoria e prática antropológica, mas também fora de sua área, em disciplinas como a psicologia, a história e a teoria literária. Considerado o fundador de uma das vertentes da antropologia contemporânea - a chamada Antropologia Hermenêutica ou Interpretativa, que floresceu a partir dos anos 50. Geertz, graduado em filosofia e inglês, antes de migrar para o debate antropológico, obteve seu PhD em Antropologia em 1949 e desde então conduziu extensas pesquisas de campo, nas quais se originaram seus livros, escritos essencialmente sob a forma de ensaio. Suas principais pesquisas ocorreram na Indonésia e no Marrocos. Foi o descontentamento com a metodologia antropológica disponível à época de seu estudo, para Geertz, excessivamente abstrata e de certa forma distanciada da realidade encontrada no campo, que o levou a elaborar um método novo de análise das informações obtidas entre as sociedades que estudava. Seu primeiro estudo tinha por objetivo entender a religião em Java. No final, foi incapaz de se restringir a apenas um aspecto daquela sociedade, que ele achava que não poderia ser extirpado e analisado separadamente do resto, desconsiderando, entre outras coisas, a própria passagem do tempo. Foi assim que ele chegou ao que depois foi apelidada de Antropologia Hermenêutica. Sua tese principia na defesa do estudo de "quem as pessoas de determinada formação cultural acham que são o que elas fazem e por que razões elas crêem que fazem o que fazem". Uma das metáforas preferidas, para Geertz, para definir o que faz a Antropologia Interpretativa é a da leitura das sociedades como textos ou como análogas a textos. A interpretação se dá em todos os momentos do estudo, da leitura do "texto" cheio de significados que é a sociedade à escritura do texto/ensaio do antropólogo, interpretado por sua vez por aqueles que não passaram pelas experiências do autor do texto escrito. Todos os elementos da cultura analisada devem ser entendidos, portanto, à luz desta textualidade, imanente à realidade cultural. Geertz concordava com a idéia de Levi-Strauss de abordagem etnocêntrica (que o antropólogo estruturalista via como algo positivo) no estudo da área. Segundo Geertz, o risco do etnocentrismo é de aprisionar o ser humano em sua interpretação pessoal. Geertz afirmou que o problema humano no estudo antropológico não é de estranhar o outro, mas de estranhar a si mesmo, e ele aconselhava os estudiosos a se conhecerem melhor antes de analisarem outras sociedades. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Autores Citados em aula - Prof. MSc. CLAUDYANNE RODRIGUES DE ALMEIDA



Edward Burnett Tylor
Antropólogo britânico, Sir Edward Burnett Tylor nasceu em 1832. Existem poucas referências sobre os primeiros anos de vida de Edward Burnett Tylor. Segundo os dados disponíveis, sabe-se que Tylor foi obrigado a deixar os estudos quando tinha 16 anos para ir trabalhar para a empresa da família e que, por volta dos 23 anos, teve de interromper o trabalho devido alguns sintomas de tuberculose. Esta adversidade acabou por o levar a viajar pela América e a conhecer, numa dessas suas viagens a Cuba, o futuro arqueólogo e etnólogo Henry Christy. O que é fato é que este conhecimento teve um papel importante no percurso científico de Tylor, contribuindo para que este se interessasse pelos diversos assuntos que dizem respeito ao estudo do homem e se tornasse num dos nomes mais prestigiados da Antropologia britânica. Sir Edward Tylor tornou-se conservador do Museu Pitt-Rivers, leitor de antropologia e, mais tarde, professor de Antropologia na Universidade de Oxford. A sua importância na Antropologia deve-se, sobretudo à obra Primitive Culture, publicada em 1871. Nesta obra, Tylor utilizou pela primeira vez um conceito que ficou célebre - o conceito de "sobrevivências" bem como uma noção bastante abrangente de cultura que é hoje considerada clássica: «A cultura ou civilização, entendida no seu sentido etnográfico mais amplo, é o conjunto complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, o direito, o costume e toda a demais capacidade ou hábito adquiridos pelo homem enquanto membro de uma sociedade» (Tylor, Primitive Culture, 1871). Tylor, baseando-se nas teorias darwianas da época, defendia a ideia de unidade psíquica da espécie humana em que a cultura se desenvolvia de um modo progressivo, linear e uniforme. Neste contexto, o desenvolvimento das culturas realizava-se por etapas, sendo a Europa a civilização mais avançada. Partindo deste pressuposto evolucionista, Tylor tentou demonstrar que o aparecimento e desenvolvimento da religião teriam atravessado igualmente diversas fases, começando pelo animismo, passando por uma fase intermédia de politeísmo e terminando no monoteísmo.  Apesar as teorias evolucionistas propostas por Tylor e outros antropólogos estarem hoje ultrapassadas, as suas idéias tiveram uma grande aceitação na época, existindo ainda alguns autores contemporâneos que insistem em comparar culturas com percursos totalmente distintos e defender hipóteses de teor evolucionista. Em 1912, Tylor recebeu o título de Cavaleiro da Coroa Britânica. Faleceu cinco anos mais tarde em Sommerset, Inglaterra.  Para além de Primitive Culture: Researches Into the Development of Mythology, Philosophy and Religion, Art and Custom (2 vol.),1871, Sir Edward Burnett Tylor publicou diversas obras das quais se destacam: 
1861, Anahuac; or Mexico and the Mexicans Ancient and Modern
1865, Researches into the Early History of Mankind and the Development os Civilization 1881, Anthropology, an Introduction to the Study of Man and Civilization - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Autores Citados em aula - Prof. Dr. Leandro Rust - Hermes Trismegisto

Hermes Trismegisto
"Hermes, o três vezes grande", é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth (ou Tehuti), identificado com o deus grego Hermes. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como "três vezes grande", era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado com Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Thoth. Como "escriba e mensageiro dos deuses", no Egito Helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos "herméticos", contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia - o Corpus Hermeticum - cujo propósito seria a deificação da humanidade através do conhecimento de Deus. É pouco provável que todos esses livros tenham sido escritos por uma única pessoa, mas representam o saber acumulado pelos egípcios ao longo do tempo, atribuído ao grande deus da sabedoria. O Corpus Hermeticum, datado provavelmente do século I ao século III, representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônico renascentista. Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo. Segundo Clemente de Alexandria, eram 42 livros subdivididos em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes; o segundo, dos rituais do templo; o terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura; o quarto, de astronomia e astrologia,matemática e arquitetura; o quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis; o sexto era um texto médico. Fonte: Wikipédia

Autores Citados em aula - Prof. Dr. Leandro Rust - Marsílio Ficino


Marsílio Ficino
 Figline Valdarno, Florença, 19 de outubro de 1433 - Careggi, 1 de outubro de 1499), filósofo italiano, é o maior representante do Humanismo florentino. Depois de adquirir as primeiras noções de língua grega, inicia seus estudos de filosofia e já em 1454, aos 19 anos, escreve uma coletânea de textos emlatim, a Summa philosophiae, em que trata de física, de lógica, de Deus e de aliae multae questiones. Em suas cartas a amigos, mostra profundo interesse em prosseguir seus estudos platônicos. Estudou também os textos de Galeno, Hipócrates, Aristóteles, Averróis e Avicena. Marsílio Ficino teve a fortuna de ser filho do médico dos poderosos Médicis de Florença. Assim, desde a sua juventude tornou-se amigo e manteve estreita relação intelectual com Cosme de Médicis, o Velho, um dos homens mais ricos da Europa àquela época e grande entusiasta da cultura grega. Cosme escolheu Ficino para estudar e difundir a tradição platônica em Florença. Para tanto, doou-lhe uma "villa" em Careggi, na parte norte de Florença, para ali sediar a academia platônica, ou antes, neoplatônica florentina, inspirada na antiga Academia de Platão. Além disso, Cosme confiou-lhe também a missão de traduzir o Corpus Hermeticum - os escritos atribuídos ao legendário Hermes Trimegisto - bem como as Eneadas de Plotino, entre outros textos de filósofos neoplatônicos. Após a morte de Cosme, seu filho Pedro e depois o neto, Lourenço, o Magnífico, continuaram a apoiá-lo. As atividades da Academia consistiam de reuniões, debates, discursos, cantos e bailes ao som da lira, em um estilo de vida não guiado por um regulamento preciso, mas pela personalidade de Ficino. Anualmente, no dia 7 de novembro, suposta data do aniversário de Platão, um seleto grupo de intelectuais se reunia em Careggi, a convite de Lourenço, para um banquete, claramente alusivo a "O Banquete" de Platão. Marsilio Ficino utilizou pela primeira vez a expressão Amor platonicus, como um sinônimo de amor socrático. Como um homem do Renascimento, Ficino tinha também conhecimentos em outras áreas, tais como medicina e música, mas revelou-se, sobretudo um grande tradutor. Traduziu para o latim não só a obra de Platão (1477), mas também, por sugestão de Pico della Mirandola, Plotino (1485) e outros neoplatônicos. Seu trabalho de tradução terá influência decisiva para a formação do pensamento da Idade de Ouro da Renascença. Em 1473 foi ordenado padre. Não obstante, por seu interesse pelas ciências ocultas é acusado de necromancia em 1482, e escreve uma Apologia em sua própria defesa. Com a morte de Lourenço, em 1492, rompe-se o equilíbrio político entre Florença e os demais estados italianos, obtido graças a sua grande habilidade política. Segue-se um período sangrento de guerras e invasões. O declínio dos Médicis influirá negativamente sobre a vida de Ficino. As atividades da Academia são extintas e seu pensamento será duramente criticado pelo poderoso clérigo Girolamo Savonarola, contra o qual o Ficino escreverá uma Apologia em 1498. Desgostoso, o filósofo se retira vindo a falecer em sua casa de Careggi, em 1499. Fonte Wikipédia

SUPER AUTORES: “Black Athena” (“Atenas Negra”) - Martin Bernal - Prof. Dr. Leandro Rust

Martin Bernal é um estudioso de história política chinesa moderna que afirma que a civilização clássica grega na realidade se originou de culturas afroasiáticas e semíticas, e não apenas da Europa, como tradicionalmente é colocado pelos historiadores. Ele chama esta teoria de "Modelo Antigo Revisado", baseado em historiadores clássicos como Heródoto e em suas afirmações e reconhecimentos de uma herança cultural egípcia e fenícia. Este modelo contrasta com o dito Modelo Ariano, que coloca os povos falantes de línguas Indo-européias do norte e as antigas culturas autóctones gregas como a raiz principal da cultura grega. O Modelo Antigo Revisado, Bernal argumenta, possui raízes na civilização clássica que estuda, enquanto o Modelo Ariano advém do racismo em desenvolvimento nos séculos XVIII-XIX. Suas teorias são contestadas por alguns estudiosos da antiguidade clássica, como Maryr Lefkowitz.
Fonte: Wikipedia



A Origem da nossa cultura

Voltei e em grande estilo! Após um período de muito estudo e ralação, trago um texto ótimo sobre a Grécia antiga. É de Antonio Cícero, publicado na Folha de São Paulo em 11 de agosto de 2007:
O Segredo Grego.
Vinte anos atrás, Martin Bernal, professor de estudos mediterrâneos e orientais da Universidade de Cornell, EUA, provocou escândalos entre os estudiosos ao publicar “Black Athena” (“Atenas Negra”) em que defende que boa parte da cultura grega é de origem africana, em primeiro lugar, e asiática, em segundo. A África a que ele se refere é o Egito. Outra tese do livro, de menor importância, mas que justifica o título do livro, é a de que os egípcios teriam sido negróides. Bernal não pretende que suas idéias sejam absolutamente novas. Elas correspondem, de acordo com ele, a uma revisão do que denomina o “modelo antigo” das origens gregas. Segundo, por exemplo, Heródoto, no século 5 a.C., foi com os egípcios e com os asiáticos que os gregos aprenderam os rudimentos da religião. Observe-se também a extrema reverencia que Platão manifesta para com a religião e os mistérios do Egito. O “modelo antigo” comenta Bernal, dominou os estudos da Antiguidade até o fim do século 18. Esse modelo foi rejeitado nessa época, ao se construir disciplina moderna dos Estudos Clássicos. Minimizou-se ,então, a influencia egípcia e semítica sobre a Grécia. Segundo Bernal, isso se deu principalmente por razões ideológicas: “não ficava bem que a Grécia, agora considerada o berço da Europa, tivesse sido civilizada por africanos e asiáticos, que para a “nova ciência racial”, haviam passado a ser considerados como categoria inferior. Assim, por volta de 1840, produziu-se o “modelo ariano”, segundo o qual a cultura grega teria surgido basicamente a partir das conquistas dos “arianos”, vindos do norte. Considerada como absolutamente original, a cultura grega passou a ser contrastada com as culturas que a cercava como a luz com a escuridão. Como poderia esta influenciar aquela? Lembro que foi, de fato, esse o modelo que aprendi nas aulas de História, no Brasil. Bernal, com toda a razão, afirma que, ainda a Grécia tenha sofrido invasões de etnias indo-européias vindas do norte, isso não autorizaria a negar a influencia egípcia e asiática na formação de sua cultura. Ele está certo ao criticar o modelo ariano. Entretanto, o seu próprio “modelo antigo revisto” foi rapidamente assimilado ao “afrocentrismo”, uma ideologia que, nos seus momentos mais extremos, afirma que a cultura grega foi roubada da egípcia. Pois bem, longe de se dissociar de tais tolices, Bernal declara, por exemplo, que “os acadêmicos podem preferir a palavra que está na moda, apropriação, mas a palavra roubo não é inteiramente inadequada neste caso.” Bernal está errado. Apropriação não é eufemismo para roubo. Roubo é uma apropriação ilícita, em que o proprietário do objeto roubado é lesado. Por que considerar ilícitas as apropriações culturais? Os gregos se apropriaram, por exemplo, do alfabeto proto-alfabeto fenício. Não só, ao fazê-lo, não lesaram os fenícios mas, tendo transformado esse proto-alfabeto num alfabeto perfeitamente fonético, os gregos o legaram, em princípio ao resto do mundo. Não é possível negar nem a capacidade que a Grécia teve de se apropriar de todas as formas culturas que lhe interessassem, nem a originalidade do que foi por ela produzido a partir de tais apropriações. Essa originalidade não se deveu a “raça” nenhuma. Ainda que a Grécia continental tenha sofrido invasões de etnias indo-européias, essas se terão sem dúvida fundida a outras etnias no verdadeiro crisol étnico que era o Mediterrâneo oriental. É o que permite a Isócrates, no século 4 a.C. , declarar que são chamados “gregos antes os que participam de nossa educação do que os que participam de uma raça comum”. Qual o segredo da originalidade da Grécia? Talvez Arnold Hauser tenha chegado perto de descobrir ao falar de Homero. Para ele, “o espírito sem lei e irreverente dos príncipes aqueus da idade heróica deve-se ao fato de que eram piratas e saqueadores que haviam obtido uma série fulminante de vitórias sobre povos mais civilizados. Com isso, emanciparam-se da sua religião ancestral, ao mesmo tempo que desprezavam as religiões dos povos que conquistavam, exatamente por serem religiões de povos conquistados. Pois foi mais ou menos assim que os helenos conseguiram se conservar unidos em torno de Homero e da língua grega, abertos ao turbilhão cultural mediterrâneo e singularmente livres, tanto de qualquer Igreja quanto de qualquer Estado central.

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